No mundo da leitura podemos dizer que 2010 foi o ano dos dispositivos eletrônicos. Se no final de 2009 a Amazon anunciava que havia vendido mais títulos digitais do que impressos, este ano foi a vez da Barnes & Noble anunciar o mesmo. Mesmo que estes resultados sejam questionáveis por diversos motivos, é impossível não afirmar que pelo menos nos países “desenvolvidos” os E-readers ganham cada vez mais popularidade mês a mês e o mesmo já começa a acontecer com o Brasil.
Mas neste cenário quem ganhou um concorrente foi o próprio E-reader, para a felicidade dos E-books. Os tablets começam a chegar ao mercado com o IPAD, Samsung Galaxy Tab, a promessa de um dispositivo da Motorola, Microsoft, HP e outros de “marcas genéricas”. Aqui ocorre algo interessante: Os tablets Ipad e Galaxy Tab parecem deixar claro ao leitor de que não são apenas os dispositivos que permitem o acesso aos livros eletrônicos, mas os sistemas operacionais para estes dispositivos móveis, aqui representados pelo Ios (da Apple) e o Android (do Google). Assim, além de uma futura briga entre E-readers e Tablets temos também os smartphones, que já tem telas entre 3,5 e 4 polegadas como um quase padrão, como um segundo dispositivo, um complemento, ou até mesmo como leitor principal. É o livro chegando a todas as telas… Viva!
Os dispositivos ganharam destaque e aqui no Bibliotecno um dos suportes que mais falamos neste 2010 foram os periódicos. Considerando isto e o fato de recentemente a Amazon ter permitido que o seu software para tablets e smartphones lessem jornais, o Bibliotecno vem se despedir do ano analisando a leitura de jornais no Kindle para Android.
É bom notar que o Kindle é um dispositivo E-reader com versões para a leitura de livros em PCs, Macs, Android, Ios, Blackberry e futuramente o Windows Phone 7 (só o Symbian ficou de fora). Assim, uma obra comprada utilizando qualquer um destes dispositivos poderá ser lida nos outros aparelhos após uma sincronização. A Internet é utilizada apenas para sincronizar a biblioteca, mas a leitura do documento é feita off-line. Para jornais isto faz uma diferença enorme, pois, temos no kindle o mesmo conteúdo do documento impresso que pode ser lido sem o uso da Internet, diferente dos portais dos jornais que utilizam o navegador ou aplicativos que acionam a Internet em todo momento para exibir a notícia. A desvantagem? Se o conteúdo é do jornal impresso não temos o dinamismo das matérias em tempo real dos portais dos jornais. Mas é bom frisar o lado bom: leitura em túneis, metrô, viagens sem o uso do pacote de dados em outro estado e surpresa na conta.
O programa é o mesmo para a leitura de livros e revistas. A compra dos documentos pode ser feita através do próprio dispositivo de forma prática, com poucos cliques, desde que já se tenha feito o cadastro de um cartão de crédito anteriormente. O problema é que a Amazon aceita apenas cartões de crédito internacionais, o que nem todos têm, e a facilidade de compra pode incentivar não só a leitura, mas altas faturas do cartão.
No caso de jornais o teste do Bibliotecno foi feito com o “O Globo”. Você terá duas opções para adquirir: Assinatura mensal ou compra da edição do dia. O preço da edição está US$ 0,99, ou seja, com a média do cambio atual o custo é inferior a da compra da edição na banca. Efetuada a compra o item aparece automaticamente em sua biblioteca.
Mas qual a diferença do jornal impresso, da versão para o dispositivo Kindle e das versões para aplicativos Kindle?
- A edição impressa, mesmo que seja em formato tabloide (imagine em formato standart), é desajeitada para a leitura em meios de transporte. A experiência de ler um jornal num ônibus, metrô lotado é desastrosa e nada prazerosa. O impresso evoluiu com o tempo e ganhou cores nas fotos, mas é disperso em relação ao conteúdo por conter muitas matérias em uma mesma página.
- No E-reader Kindle temos uma tela em tamanho ideal, próxima de um livro, o conteúdo não é disperso, pois é exibida uma matéria por página (tela), contudo a tela sem cores do dispositivo significa retroceder tudo em que o fotojornalismo evoluiu na edição impressa.
- Nos aplicativos Kindle para sistemas mobile tem-se telas maiores (tablets) e menores (smartphones). A página inicial se parece mais com um sumário de revista. A matéria poderá não está completa nas dimensões da tela: quanto maior o conteúdo maior a quantidade de “páginas” conterá a matéria. Cores! Sim, elas existem e com a qualidade superior a do impresso. A ferramenta de busca no conteúdo é bem vinda.
Se compararmos aos leitores de livros para smarphones, os recursos do aplicativo do Kindle tem a maioria das funções desejadas: está lá a exibição do fundo branco, sépia e preto e o ajuste do tamanho da fonte. Só falta aqui disponibilizar a opção de modificar a tipologia.
O interessante é que em relação a organização do conteúdo o jornal é visto como um livro eletrônico. Em um conteúdo grande, se aumentarmos a fonte, paginas vão sendo criadas, bastando passa o dedo horizontalmente para retroceder o avançar na paginação. Ao finalizar uma matéria se avançarmos para a página seguinte teremos a próxima matéria da mesma seção, como se fossem as matérias subcapítulos de uma seção, que poderíamos ver como os capítulos de um livro.
A ausência de alguns recursos foi sentida: aumento do tamanho da fonte com o movimento de pinça na tela e a possibilidade de compra de edições anteriores. Aliás, o ultimo recurso seria o mesmo que criar uma biblioteca digital paga, que poderia até mesmo ser ampliada com edições antigas remodeladas em versões digitais, ou mesmo digitalizadas em seu formato original.
O programa é bom, principalmente por podermos ter em uma quantidade diferente de dispositivos o mesmo documento comprado, podendo começar a leitura num computador, passando a um tablet, um smartphone, um E-reader. Aqui só fica excluída a edição impressa.
É um bom programa e o já conta com os brasileiros O Globo, Zero Hora Diário Catarinense, Jornal de Santa Catarina e A Notícia, contudo, nem todos estão disponíveis para o aplicativo do Kindle, sendo possível a leitura apenas no dispositivo de mesmo nome (Aliás, apenas “O Globo” está disponível para o aplicativo). Mas ainda limitado se compararmos com o aplicativo de “O Globo” para o IPAD que permite a interação entre a edição impressa, o portal “O Globo Online” e notícias em tempo real.
E assim fechamos 2010. Esperamos você no Bibliotecno Ano 3 em 2011. Feliz Ano Novo a todos.
ATUALIZAÇÃO EM 02/01/2011 – Após o artigo o Analises Tecnológicas do Bibliotecno.com.br continuou explorando o programa e um item passou desapercebido na análise inicial. Ao pressionar a tecla aparece um tipo de caixa onde é produzido um efeito de lupa possibilitando selecionar palavras ou frases do texto. O que for selecionado pode ser pesquisado no restante da obra, ser verificado na Wikipedia ou ter a definição em dicionário. O único problema para nós brasileiros é que o dicionário é exibido em inglês. Este recurso é muito parecido com o do Ibooks, para Ipad, que o Bibliotecno já analisou anteriormente.








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Gostei muito destas possibilidades de integração entre a leitura e o vários dispositivos que estão a nossa disposição.
Espero que em 2011 outra publicações brasileiras sejam disponibilizadas desta forma, fazendo assim o Brasil marcar presença neste novo meio e também oferecer a sua população uma maior variedade de títulos.
Uma outra possibilidade e mercado seria os editores brasileiros criarem o conteúdo em outro idioma e assim atingir outros mercados.