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Este texto é inspirado em outro, publicado no dia 9 de abril de 2011 pelo Blog Na Era da Informação, acessível pelo link e intitulado “Blog como ferramenta para divulgação científica: resposta ao autor Nepomuceno”. Em linhas gerais o Bibliotecno não discorda das colocações da autora, apenas busca ampliar a visão de blogs como mídia de registro informacional.

Uma das funções do Bibliotecno é demonstrar a importância da preservação, da disseminação, da evolução de informação não cientifica. Isto ocorre pelo fato da ciência ter a preocupação em, na maioria dos casos, preservar a informação científica, contudo, não é só de informação científica que vive a ciência, é necessária a matéria bruta e no universo do papel isto pode ser verificado pelo volume de pesquisadores acadêmicos que passam pelo setor de periódicos da Biblioteca Nacional consultando obras não cientificas, como jornais diários.

A autora diz que “O modelo de produção científica predominante atualmente limita a divulgação de pesquisas e até mesmo cria barreiras para a sua publicação”, mas isto não é uma característica apenas da ciência. A imprensa brasileira começou com muitos jornais de linhas diversas, diferentes pontos de vista e a defesa de seus ideais, contudo, ao longo do tempo, surgiu uma espécie de homogenização, onde cada um pode ter sua ideia, mas não se deve expressá-la de forma direta. O resultado são os jornais de hoje que ao invés de defender seus pontos de vista se resumem a analisar os fatos de forma “imparcial”. Quando as revistas semanais e temáticas começaram a se tornarem populares, esta ideia de imparcialidade já estava disseminada e poucos conseguiram, ou conseguem, de forma aberta expor seus fundamentos. Talvez isto tenha ocorrido nas eleições presidenciais de 2010, entretanto, as revistas não imparciais foram as criticadas, como se o ser humano devesse ter apenas uma versão dos fatos.

Os blogs rompem isto. A autora diz que “Tomados por essa vontade de compartilhar e buscar reconhecer novos pontos de vista, críticas e sugestões, alguns pesquisadores renomados da área de ciência da informação também utilizem o blog como ferramenta de compartilhamento de informação relativa à sua área de estudo”. Isto de forma mais ampla pode ser percebido em outros tipos de blogs. No caso da política temos diversos defendem seu ponto de vista, que difere da versão dos fatos da “imprensa oficial” que temos nos jornais e revistas comerciais da atualidade. Nos blogs de tecnologia, por exemplo, erros de empresas são divulgados, explorados, comparados, mas as revistas especializadas nem sempre fazem isto, devido a uma necessidade de “respeito ao mencionado”.

Revistas exploram os fatos históricos, de acordo com as versões oficiais históricas. Mas o que seria melhor que a vivencia individual para demostrar como sentiu, na pele, determinado acontecimento? María Amelia López Soliño, falecida aos 97 anos em 2009, em dois anos e meio recebeu 1.592.488 visitantes interessados nas nostálgicas histórias de sua vida; em suas impressões da velhice e também em comentários sobre política – tanto a atual, como a dos tempos da ditadura de Francisco Franco. As reais impressões de quem viveu um período ditatorial não deveria ser insumo primordial de pesquisa histórica? Então, está no blog! Mas como a senhora é falecida um dia este tenderá sair do ar.

Milhares que não tinham condições de expor seu mundo na era impressa passaram a fazer diante dos blogs. A anarquia chegou e diante do teclado, do mouse ou da tela em toque, fala e outros meios de interação tudo é permitido. Mas porque os blogs?

Os blogs tem algumas características positivas em relação as “ferramentas de rede social” . Nesta plataforma é possível a publicação de textos mais elaborados, que são recuperáveis e permitem uma ordenação que contextualiza o blog como um todo. No twitter, por exemplo, isto não é possível, pois textos curtos se perdem e a recuperação ocorre de forma fragmentada. É notório que o Twitter, o Facebook, Orkut e demais tem grande participação neste movimento onde todos podem expor seus ideais, porém, funciona mais como um canal viral de propaganda, onde é muito comum verificar links para textos explicativos em webjornais e blogs.

Mas nada disso, no Brasil, é preservado e para a ciência seria algo necessário. Não é possível imaginar a pesquisa de fatos políticos apenas pelos meios tradicionais de notícias, de mudanças de comportamento social dos jovens apenas pelos livros da época, que muito provavelmente  contém a visão do autor, que dificilmente será um jovem, além da exposição de ideias científicas, como provocações, que não estão necessariamente formatadas em textos científicos, como no caso deste blog. No mundo empresarial esta ferramenta também tem seu impacto, pois é comum vermos em blogs e “ferramentas de redes sociais” críticas sobre determinado produto, forma de atendimento, etc, e estes seriam insumos para determinada organização verificar o mercado, os concorrentes e como operar, influenciando no planejamento.

Até mesmo fora das Ciências humanas e sociais os blogs preservados teriam sua importância. Tomando como exemplo o recente caso de terremoto seguido de tsunami no Japão, além de dados de satélites e movimentação do solo, poderíamos imaginar blogs publicando elementos que só poderiam ser reparados por aqueles que estavam no local, no momento do ocorrido, e um blog de um sobrevivente poderia publicar dados complementares.

Enfim, o blog é um tipo de mídia que merece atenção e principalmente ações de preservação para análises sobre o que foi publicado. O Arquivamento da web é um meio já explorado por diversos países e no Bibliotecno existem diversos textos sobre o assunto. O que se buscou aqui é demonstrar que tanto no meio científico, quanto fora dele, o blog é uma mídia que permite a liberdade de expressão, de pensamento, uma anarquia do pensar, com conteúdos exclusivos que independente de sua “qualidade” podem servir para análises e pesquisas na forma de matéria bruta.

 

 


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6 Respostas para “Os Blogs como suporte para registro informacional”

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