Webjornais, blogs, redes sociais (diversas, com as mais diferentes funções), email. No computador de casa, do trabalho, no smartphone, no tablet. E mais, livros, revistas, jornais… ufa! Não, não estamos com excesso de informação ou mesmo explosão informacional (ou veremos um big bang a cada ano), mas temos a abundância informacional, o que nos leva a termos a informação praticamente sob medida para cada grupo social, para cada indivíduo nos dias de hoje. Mas não sabemos filtrar e ao lidar com a falta de filtro podemos sair em busca de informação num ambiente repleto delas. A isto soma-se o acesso que está em todo lugar (na palma da mão como diria a cigana), fazendo a informação nos rodear em no quarto, na sala, na rua, no ônibus, no metrô… no banheiro! Sim, agora podemos falar em excesso de informação, em explosão informacional, mas no universo individual.
Ocorre que a informação não mudou só de suporte, mas em formato. Não são apenas romances, notícias do quotidiano, a ciência, mas a vida de nossos amigos, a própria cidade por geolocalização e dicas dos que tiveram presentes nos locais em jogos, e como se não bastasse o produzir informação vem sendo incentivado ao extremo, transformando a própria vida num jogo (como no caso do Foursquare e similares) onde você produz informação sobre todo o lugar em que está para ganhar uma medalhinha virtual.
A ideia ainda é levar a informação para a nuvem, acabar com os limites de produção e acesso anteriormente impostos pelo hardware. Quem sabe um dia não vá cair um temporal informacional do céu.
Sim, o cenário é complexo e estamos nos viciando, nos tornando zumbis informacionais e quando pensamos em biblioteca o que nos vem a mente? Informação!
Eis um trecho da fantástica entrevista de Genevieve Bell, antropóloga e diretora de Interação e Experiência nos Intel Labs, concedida ao Jornal carioca O Globo no último dia 18.
Mas o fato é que nós, que estamos enfronhados nesse meio high-tech, raramente clicamos no botão de “desliga” para nos entregar a momentos de tédio. E as indústrias da tecnologia e do entretenimento continuamente se dedicam a pôr o tédio para baixo do tapete, escondendo-o de nós como se fosse vergonhoso ou nocivo se entediar.
A leitura digital constante, principalmente em relação aos textos curtos pode gerar um novo tipo de leitor: aquele que não consegue compreender uma informação mais elaborada, um texto com conteúdo maior. Podemos criar uma geração que não conseguirá ler mais do que 200 caracteres. Ansiedade por informação e por chegar ao fim da informação para podermos ler uma nova informação, ou ficamos com a sensação de que o mundo lá fora corre e nós estamos em marcha lenta.
E a biblioteca com seus livros, revistas, jornais, entre outros? O que fazer com o usuário dos 200 caracteres? Este usuário precisa do ócio, do tédio! Segundo Bell, “é um monte de coisas que nos afastam da monotonia. No final das contas, acabamos sendo induzidos e seduzidos a trocar o salutar tédio por uma sobrecarga de estímulos. E chegamos ao ponto em que as demandas desses nossos dispositivos excedem nossa capacidade de atendê-las”. Estaríamos observando a criação de diversos novos possíveis usuários que poderão não conseguir acompanhar aquilo que é o acervo de uma biblioteca? O que fazer então?
Não sei, mas os modelos de bibliotecas mais “modernas” estão sempre estimulando o conforto, com áreas de leitura ao ar livre, almofadas, cadeiras confortáveis, redes, etc etc etc. Estamos preparando o corpo para a leitura, mas e a mente? Mesmo com todo este ambiente a biblioteca é colocada como o local de leitura e um ambiente informacional, para um usuário mentalmente sobrecarregado informacionalmente.
Imaginemos agora uma área da biblioteca com todo este conforto físico das novas bibliotecas, mas sem estimulo a informação! Um local onde o usuário poderá por 30 minutos, 1 hora, 2 horas, descansar a mente, viver o ócio, estimular o tédio e com a mente mais “aliviada” partir para outra área, agora informacional. Isto faria sentido? É esquisito imaginar uma biblioteca dizendo: “Entre aqui, relaxe e não leia ou interaja com nada”. É esquisito, mas acredito que seja algo a ser pensado, refletido. A Biblioteca pode ser o espaço para adquirir informação, mas também para curar quem vivem imerso continuamente nela.
Ah… Desculpe pelo Bibliotecno estar trazendo mais informação para sua vida!
BT+
O tema não é o mesmo, mas este infográfico demonstra o problema relacionando a questão da facilidade da busca de informações, principalmente devido ao Google. Tem-se, neste aspecto, a relação busca na web e “preguiça” de raciocínio do cérebro




“@bibliotecno: A Biblioteca sem informação! Vamos estimular o tédio? http://t.co/8rzIwEnK #excessoinformacional #tedio #acessoainformacao”
Alex, adorei o site! Parabéns!!!
Vau tentando melhorar e sabe-se lá onde parar com este site… desde 2009 já sofreu diversas mudanças visuais e, principalmente, de objetivo, linguagem… e agora passará por estes dois tipos de mudança de novo… no visual já foi no conteúdo será… um abraço.
A Biblioteca sem informação! Vamos estimular o tédio? http://t.co/4rx0meAT. RT @bibliotecno