Como selecionar websites com o objetivo de elaborar um arquivo da web, por meio de web archiving, ou melhor: O que selecionar? A preservação de websites por meio de web archiving vem sendo utilizado por diversas instituições de memória como arquivos, centros de documentação e, principalmente, bibliotecas, além de centros de tecnologia. A definição de critérios de seleção, segundo a metodologia referente à web archiving, é a primeira etapa a ser realizada.
Entendendo o contexto web archiving e seleção documental (websites)
Os limites da memória humana fez com que este buscasse recursos externos, memórias artificiais, o que também levou a criação das instituições de memória, entre elas arquivos, bibliotecas e museus, com o fim de preservar os registros do conhecimento humano (OLIVEIRA; RODRIGUES, 2011). A web, que vem se tornando o principal meio de publicação nas sociedades desenvolvidas, é um dos recursos externos a memória humana, onde qualquer pessoa com requisitos tecnológicos básicos pode registrar e compartilhar informações forma ágil. Isto acarreta em um vasto volume de informações publicadas exclusivamente neste meio, em formato de difícil preservação, onde as informações desaparecem rapidamente.
Os websites compõem um patrimônio digital, que tem como característica a efemeridade e difícil preservação. Cada vez mais bibliotecas, arquivos e outras organizações ligadas a memória e a informação buscam arquivar websites, objetivando garantir uma preservação de longo prazo. Entre outros, podem ser citados o Library of Congress Web Archive, da Library of Congress, o UK Web Archive, da British Library, o Pandora, da Biblioteca Nacional da Austrália, o arquivo da web da Biblioteca da Unviversidade de Harward e o serviço de arquivamento da web da California Digital Library, que agrupa websites selecionados por diversos parceiros, como bibliotecas universitárias e públicas. Você pode encontrar mais sobre estes arquivos em WEB ARCHIVING
Mesmo tratando-se de uma temática extremamente ligada as tecnologias digitais, os processos, métodos e técnicas relativas à coleta, tratamento e recuperação da informação devem ser aplicados de modo a garantir um acervo que represente e se torne útil para uma comunidade específica, seja uma nação, uma comunidade científica ou outros grupos da sociedade. Considerando o modelo adotado pela California Digital Library, que através do Web Archiving Service (WAS) fornece tecnologia e suporte necessário ao arquivamento, a principal questão a ser observada pelas instituições de memória é como selecionar e descobrir material representativo a ser preservado. Esta é uma tarefa que se torna complicada, devido um vasto volume de informações existentes na web.
Segundo Campos (2007), devido a grande quantidade de recursos disponíveis na web, o que acarreta em questões financeira e de qualidade do acervo, deve-se adotar, ou não, critérios de seleção para arquivos da web. Nas etapas de web archiving, que segundo o autor baseiam-se na captura, armazenamento e apresentação da informação, a seleção é indicada como um critério a ser definido, antes da fase de captura, ou seja, a primeira medida a ser equacionada em relação a arquivos da web.
Deve-se considerar que a web tem como característica o aumento da facilidade de acesso à informação, quando comparada a outros suportes, e, principalmente, uma maior facilidade na produção e troca de conteúdo. Isto torna, hipoteticamente, qualquer pessoa com pouca habilidade e acesso a Internet um potencial publicador, permitindo registrar sua visão de mundo, seus anseios, suas expressões. São estes registros, em muitos casos unicamente publicados na web, possíveis fontes de pesquisas sociais e científicas sobre os tempos de hoje no futuro, desde que preservadas.
Mas o que selecionar, ou mesmo descobrir um item relevante, em tão grandioso volume de informações? Qual critério de seleção considerar e como descobrir os websites representativos? Estes podem variar de acordo com a finalidade do arquivo de websites criado. Neste cenário, devem-se considerar também as ferramentas de rede social, que ganharam destaque como canal de comunicação e compartilhamento em um contexto todos-todos.
As informações compartilhadas por integrantes de uma rede podem ser fontes para a seleção e descoberta de recursos a serem preservados? Considera-se aqui não só o que é registrado nas ferramentas de rede social, mas também o que é compartilhado por meio da produção de novas informações em websites e blogs. Mas como se faz esta troca nas diversas redes e o que leva um indivíduo compartilhar uma informação?
A mudança da matriz informacional para a web, que vem ocorrendo nos últimos anos não é um fato novo na sociedade. Anteriormente já migramos das culturas orais para a cultura escrita, antes de chegarmos à cultura digital (LÉVY, 1999). Este é um espaço de comunicação mais flexível em relação a outras mídias. Devido ao avanço e a crescente popularização tecnologias digitais iniciada em meados da década de 1990, foi possível uma “(r)evolução tecnológica contemporânea, produzindo mudanças sociais e outros hábitos nos quais todos podem ser autores e emissores no compartilhamento de projetos e ideais no modelo todos-todos” (COUTO et al, 2008).
A web é uma mídia abrangente, mas efêmera, onde a cultura moderna, em um sentido amplo, encontra um meio para se expressar de modo mais natural (MESSANES, 2006). Os registros produzidos na web ainda carecem de maior um aprofundamento na pesquisa de suas técnicas, de modo a garantir o acesso deste novo tipo de documento a gerações futuras. Zygmunt Bauman (apud OLIVEIRA; RODRIGUES, 2011, p.313) “analisa a sociedade contemporânea a partir da percepção das características do que ele define como “vida líquida” e “modernidade líquida””, ou seja, efêmero, a fluidez e a velocidade. Tradições e experiências passadas tornam-se irrelevantes neste contexto, havendo uma rápida adesão à modernidade, sendo tudo descartável. Exemplificando de forma quantitativa, após um ano, apenas cerca de 20% de endereços da Web remetem para um conteúdo válido (NTOULAS et al., 2004). Em 15 minutos publica-se na web uma quantidade de dados igual a armazenadas na Library of Congress (BARKSDALE; BERMAN, 2007). Cada vez se produz em maior quantidade, porém, a fragilidade e complexidade da preservação do conteúdo em meio virtual, leva ao conceito de amnésia digital (DODEBEI, GOUVEIA, 2008).
Segundo Marteleto (2001), as redes sociais representam um conjunto de participantes, que compartilham interesses e valores, “são ambientes que possibilitam a formação de grupos de interesses que interagem por meio de relacionamentos comuns”. São constituídas de um conjunto de unidades sociais, que podem ser entendidas como indivíduos, grupos formais ou informais, e suas relações com outras unidades, de forma direta ou indireta (MARTELETO, 2007). Deve-se considerar que conteúdos compartilhados nas ferramentas para redes sociais mais populares são distribuídos de forma massiva, viral, indicando para textos em websites e blogs e de que o compartilhamento de informação também ocorre na produção de novos conteúdos.
Este não é um texto conclusivo e em alguns momentos baseado em ideias soltas. Mas em todo este cenário, é possível utilizar o que cada individuo de um grupo compartilha como fonte para descoberta e seleção? Este conteúdo pode ser considerado relevante para este grupo? Tem algo a acrescentar, discordar, criticar? Utilize os comentários, após as referências, e vamos ver se conseguimos ver algumas luz sobre o tema.
REFERÊNCIAS
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BARKSDALE, Jim; BERMAN, Francine. Saving Our Digital Heritage. The Washington Post, Washington, 16 maio 2007. Disponível em: <http://tinyurl.com/2o9kw5 >. Acesso em: 14 set. 2009.
CAMPOS, Ricardo. Digital libraries and engines of search: new information systems in the context of the digital preservation. In: EURO AMERICAN CONFERENCE ON TELEMATICS AND INFORMATION SYSTEMS, 2007, Faro. Proceedings… . New York: Acm, 2007. Disponível em: < http://tinyurl.com/26k6vxa >. Acesso em: 14 set. 2009.
COUTO, Edvaldo Souza et al. Da cultura de massa às interfaces na era digital. Revista da Faced, Salvador, n. 14, 2008. Disponível em: <http://tinyurl.com/3o8ny2u>. Acesso em: 15 ago. 2011.
DODEBEI, Vera. Patrimônio digital: foco e fragmento no movimento conceitual. In: ENCONTRO NACIONAL DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 6., 2005, Salvador. Anais…. Salvador : Ufba, 2005. Disponível em: <http://tinyurl.com/3ggnvdl>. Acesso em: 14 set. 2009.
DODEBEI, Vera; GOUVEIA, Inês. Memória do futuro no ciberespaço: entre lembrar e esquecer. Datagramazero: Revista de Ciência da Informação, Rio de Janeiro, v. 9, n. 5, out. 2008. Disponível em: <http://tinyurl.com/3qdt767>. Acesso em: 1 out. 2009.
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NTOULAS, Alexandros et al. What’s new on the web?: the evolution of the web from a search engine perspective. In: INTERNATIONAL WORLD WIDE WEB CONFERENCE, 13., 2004, New York. Proceedings…. New York: Association For Computing Machinery, 2004. Disponível em: < http://tinyurl.com/3ozlkpc>. Acesso em: 14 set. 2009.
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TOMAÉL, Maria Inês; ALCARÁ, Adriana Rosecler; CHIARA, Ivone Guerreiro Di. Das redes sociais à inovação. Ciência da Informação, Brasília, v. 34, n. 2, 2005. Disponível em: < http://tinyurl.com/3edr78j>. Acesso em: 15 ago. 2011.



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