Para muitos a ideia de uma coleção de livros e o empréstimo dos mesmos, ou acesso aos mesmos, remete a ideia de uma biblioteca onde após um cadastro, que às vezes custa um valor simbólico, nos leva ao mundo da leitura com uso gratuito. Isto é algo que ocorre com os mais diversos tipos de bibliotecas, sendo em alguns casos o acesso restrito a um universo de usuários, como no caso das especializadas, mas para o leitor a ideia é: Vou a biblioteca e gratuitamente retiro meu livro. É claro que nos bastidores alguém está pagando por isto. O universo da música quase sempre foi condicionado à compra do acervo, mas eram (são) os vídeos que apresentavam um modelo mais parecido com o das bibliotecas, através de suas locadoras… O principal diferencial (existem outros, é claro) é a cobrança financeira pela informação, pelo acesso/empréstimo.
É conhecido de todos que todo o tipo de informação, seja o das letras, da música ou do vídeo, passou por um processo de “bibliotecatização”, porém ilegal, com a distribuição “gratuita”, a chamada pirataria, mas não que tivesse terminado com as vias legais de distribuição. E como elas funcionam? A música continua tendo como principal foco a venda do áudio, principalmente com o iTunes (Apple inc.), mas já existem os casos de streaming, com a venda do acesso. No caso dos vídeos o principal serviço mundial é o Netflix que distribui filmes através de uma taxa mensal, retirando o foco do pagamento por filme para o pagamento ao acesso de um acervo por tempo, normalmente mensal.
E no caso dos livros?
O modelo biblioteca é o sonho de todos: alguém paga (na verdade você, com impostos ou com a exigência de uma determinada produção, seja ela profissional ou acadêmica) e você tem o acesso livre, “gratuito”. Mas mesmo no ambiente biblioteca isto não é tão fácil assim, vide a produção acadêmica e a luta por acesso livre, que tem no lado da resistência a presença dos editores. Mas este modelo poderia sofre o impacto de um modelo não gratuito?
Saiu na imprensa hoje que a operadora de telefonia Vivo em conjunto com a Editora Gol estaria oferecendo acesso livre a um acervo de mais de 3.000 obras a sua base de clientes por um período de um mês. Após este período será cobrada uma assinatura mensal de R$ 0,99 (mais tributos) para que se continue tendo o acesso. A proposta foca nos usuários de tablets com o sistema operacional Android 3.0, mas que em breve estará disponível também aos smartphones. Tudo organizado para os mais diversos perfis, principalmente para as mais de 15 milhões de crianças e jovens que não têm bibliotecas em suas escolas. Neste caso, pelo que pude apurar, os livros são, em maioria, obras de domínio público, porém, nada impediria um modelo para aqueles ainda comerciais, e neste ponto pagar uma taxa mensal para se ter os livros em seus dispositivos poderia invadir o terreno de bibliotecas, que não poderiam oferecer estas obras gratuitamente em suas bibliotecas virtuais.
Em 2010, o Bibliotecno publicou um artigo que mencionava a a venda de livros por uma biblioteca. A Biblioteca Britânica havia encontrado um modelo interessante, onde dava acesso a diversos títulos de ebooks em domínio público e ofereceria a venda, via Amazon, para aqueles ainda comerciais. Fico pensando numa parceria entre bibliotecas, editoras, sites de venda de livros e até mesmo operadoras de acesso a web, onde se poderia dar acesso gratuito as obras em domínio público e oferecer por meio de uma assinatura as obras comerciais. Em um primeiro momento penso na maior oferta de títulos em bibliotecas virtuais e até mesmo em parcerias com editoras e autores para reduzir o período para acesso por domínio público de determinadas obras.
Um modelo que reunisse todos os envolvidos com o livro ainda poderia criar outros benefício como melhor controle dos direitos autorais e facilidades de autorização de reprodução comercial de conteúdos em novas obras, o uso do braço biblioteca para ajudar na divulgação de novos autores e do braço editoras e fornecedores para a promoção de acervos.
Qual o principal problema? A meu ver a rejeição a ideia de pagar para se ter acesso ao conteúdo. Em pesquisa recente nos EUA, observou-se que donos de tablets não estão muito a fim de pagar para se ter acesso a informação. Neste aspecto entrariam as operadoras de telefonia, que ganhariam com o acesso e reduziriam o custo do acesso as obras comerciais, além da própria biblioteca que estaria oferecendo gratuitamente seu acervo em domínio público.
Mas assim as bibliotecas não estariam se tornando “locadoras”, vendo informação? Mas isto é diferente do que ocorre hoje? Acredito que não, pois você paga sem saber que está pagando pelo serviço.
No bibliotecno costumo lançar ideias a partir de minha visão de mundo, e nem sempre são viáveis, assim o principal objetivo de um artigo como este é debater. Então, o que vocês acham? Prós, contras e novas visões….



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