O Bibliotecno vem resumir/relatar o que aconteceu no Bibliocamp, evento realizado no Rio de Janeiro no dia 10/12/2012, agrupando trabalhos em tópicos. Neste, intitulado Biblioteca sem limites, acesso sem limites, serão abordados os trabalhos Depósito Legal, de Luciana Grings e Além da banca de jornal, de Alex da Silveira.
Em muitos eventos, Luciana Grings tem percebido que os bibliotecários não sabem mais o que faz uma Biblioteca Nacional. Uma BN deve: ser centro de intercambio nacional, produz bibliografia nacional corrente, entre outros. Mas nada disso serve caso ela não seja depositaria da memoria do país. O Deposito legal existe desde a época do império, tornando-se lei em 2004, sendo que em 2010 foi incluído o deposito de registros sonoros.
Tudo publicado, em qualquer suporte, deve ser encaminhado para BN, mas a lei não esta regulamentada e um projeto de lei existente visa aumentar consideravelmente o volume de exemplares para o depósito legal. Se não se consegue captar 1 exemplar, imagine 30! Com um aumento brutal de materiais, como se faz para processar todo este material? Pois hoje em dia ate em agendas as editoras estão inserindo ISBN.
Imagine a situação da Biblioteca Nacional em termos estruturais para o depósito de todo este material que poderá a ser incluído por meio de lei? Luciana pede que bibliotecários espalhem informações sobre o depósito legal, pois a biblioteca não recebe muito dos materiais que deveria e para que todos nós possamos refletir uma solução em longo prazo para o sistema de depósito legal, em relação, principalmente, ao armazenamento pela Biblioteca Nacional.
Já a apresentação de Alex da Silveira foca no acesso a jornais e revistas por meio da digitalização. O autor começa mostrando que no passado – bem remoto – era possível termos todo o conhecimento da humanidade em nossa mente e depois transferimos esta função para elementos como Enciclopédias e Bibliotecas. Atualmente se diz que é a web o meio de acesso a tudo. Será?
Sem a pretensão de elencar todo o tipo de informação presente na web, Alex destaca 3: conteúdo acadêmico/científico; pessoal, de entretenimento e opinativo; noticiário e impressa. Destes 3 temos um crescimento dos dois primeiros blocos e até com a alimentação de conteúdo retrospectivo, como no caso de digitalização de trabalhos acadêmicos e publicação de fotos e vídeos digitalizados de nossos antigos acervos pessoais.
Mas pouco se caminhou, no Brasil, em relação a jornais do passado. A saída é aumentar a digitalização. Lembrando que estes materiais são fontes de pesquisa de aspectos sociais, políticos, econômicos, de usos e costumes sociais, notícias do dia a dia, esportes, movimentos diversos, entre outros.
Principalmente para o ramo da produção acadêmica e literária é possível notar a importância dos jornais. De janeiro a outubro de 2011, a Coordenadoria de Publicações Seriadas da Biblioteca Nacional recebeu 12.943 clientes, onde 7241 eram pesquisadores de nível superior e 4658 de pós-graduação. Alex aponta que em levantamento realizado em 2008, 71% dos volumes consultados na Biblioteca Nacional eram de periódicos microfilmados, sendo que dos títulos que correspondem a 78% destas consultas apenas 1 era um revista, sendo o restante jornal.
O ideal então era que fosse possível digitalizar 100% dos microfilmes e facilitar o acesso a estes 71% de volumes pesquisados na Biblioteca Nacional, contudo, devido a lei de direitos autorais, a BN, em projeto financiado pela FINEP, estará digitalizado algo próximo de 8.000 títulos de periódicos, ou seja, os raros e encerrados. Considerando a digitalização pela própria empresa responsável da Folha de S. Paulo e do Jornal do Brasil (2 dos 15 títulos mais consultados em 2008), será possível que os pesquisadores cheguem mais próximo dos 78% de títulos em microfilme mais consultados na BN com acesso facilitado.
Alex aponta que a BN dará diversas formas de acesso a este conteúdo. Primeiro, através da ocerização do acervo será possível realizar consultas por palavras no conteúdo dos documentos. Recurso necessário, mas que parte do princípio de que o dado é o metadado. Isto é uma verdade e ao mesmo tempo não é. O dado se torna o metadado na recuperação de um conteúdo, de um artigo, porém, jornais têm linhas diferentes de editorais e pontos de vista, e ao encontrar apenas um artigo o pesquisador não saberá o referencial histórico sobre aquela obra.
Com a atual base de dados de periódicos da BN, onde as maiorias dos jornais encontram-se apenas identificados por título e local de publicação, restaria ao pesquisador buscar informações ou ler boa parte do acervo daquele título para entender o contexto histórico. Observando esta situação, desde janeiro de 2011 a BN vem somando esforços para efetivamente catalogar os jornais em sua base de dados, a segunda forma de acesso. Contudo não seria extremamente útil ao usuário apenas a descrição física do documento e assim, uma equipe composta por 2 jornalistas, 2 estagiários de história, 2 estagiários de biblioteconomia e 1 bibliotecário, vem focando-se na descrição temática. O primeiro grupo de profissionais (de jornalismo e história) elaboram históricos da publicação com sua descrição e levantamento de conteúdo. Já o segundo grupo é responsável pela catalogação e pelo resumo do histórico preenchido no campo 520 do MARC. Além disso, os jornais estão ganhando assunto e pontos de acesso a alguns colaboradores.
A terceira forma de acesso a ser dada é por meio de blog, onde o titulo do post é o título do periódico, o conteúdo o histórico da obra e as tags os assuntos. Com as 3 formas de acesso procura-se maximizar a informação através de uma ferramenta para recuperações no conteúdo, acesso a descrição e melhor recuperação das descrições por serviços de busca.
O serviço será apresentado em breve.
Veja aqui todo o conteúdo do Bibliotecno acerca das apresentações do Bibliocamp



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