É guerra! E não estou falando de Irã e Estados Unidos, mas de guerra informacional, algo que um dia iria acontecer. O Gigante Google anunciou uma nova forma de busca, utilizando seu poder de mercado e permitindo que os resultados das consultas feitas na ferramenta sejam baseados apenas naquilo que seus amigos de círculos do Google Plus, a rede social do Google, tenham publicado ou compartilhado. É claro que isto se apresenta como algo não favorável para concorrentes, aliás, o Google é o maior buscador mundial (e no meio de uma investigação antitruste)! E o twitter resolveu colocar a boca no mundo, dizer que é a rede que mais contribui com informações em tempo real e que a atitude do Google irá prejudicar os usuários, enfim, uma guerra que já teve resposta do Google e que é para peixe grande.
Estamos falando de ferramentas de rede social, de busca, de informação, da necessidade de grandes empresas apresentarem o máximo de informação possível para prender seus clientes e vejo sempre as bibliotecas brasileiras, detentoras de muita informação, longe disto. É como se as bibliotecas fossem uma espécie de local informacional imaculado, puritano, onde a informação fica presa no seu meio, no seu ninho e deixa de ser conhecida, descoberta por milhares de pessoas, como bem colocou Moreno Barros no Bibliocamp 2011.
Observe que estou falando de rede social e busca e em um artigo publicado em 2011 no Bibliotecno falava na possibilidade de usar as ferramentas de redes sociais para a aquisição de materiais. Esta é uma ideia que joguei no ar, mas que é difícil de ser implantada, ou melhor, é necessária muita pesquisa para se pensar como fazer. E no meio desta guerra, entre dois gigantes, venho trazer mais uma reflexão acerva a outra ponta da relação entre biblioteca e usuário: a descoberta e entrega de informação.
Antes de tudo, é necessário que as bibliotecas abram seus sistemas, permitam que seu conteúdo torne-se recuperável, pois sem isto nada do que poderemos pensar é possível. Hoje cada vez mais pessoas utilizam as ferramentas de rede social e existem diversas, para todo tipo de perfil: com foco em relacionamentos sociais, profissionais, fatos do cotidiano, musica, livros e por ai vai. As pessoas trocam informações, criam relações, grupos e é neste ponto que o Google vem explorar, ou seja, utilizar toda esta informação existente acerca das pessoas para dar a ela o que ela necessita, de acordo com seu perfil, contatos, trocas de informação, histórico. A palavra em questão é: FILTRO!
E é exatamente isto que acredito faltar em catálogos de bibliotecas, além de liberar o acesso aos buscadores e ter mais catálogos coletivos. É muito complicado entrar no site da Biblioteca Nacional e ter como resposta para uma pesquisa por assunto mais de 7000 registros como resposta a uma consulta. Quem em condições normais vai verificar 7000 itens, e pior, visualizados em uma simples ordem alfabética!
Existem aqueles que acreditam que um sistema de biblioteca possa ser mais social, permitir cadastro, compartilhamento, etc, etc, etc.. Para que se já existem diversas redes sociais? Não seria mais lógico “logar” em uma rede de livros, no facebook e lá fazer uma pesquisa em diversas bibliotecas e o resultado refletir aquilo que o meio onde estou inserido considera como meu perfil, ou melhor, exibir estes resultados como primeiros itens em 7000? Ah, mais o Facebook? Tudo bem, para fins profissionais utilize o Linkedin, círculos do Google Plus, para assuntos do momento o Twitter, para informações sobre um local o Foursquare, para música o Myspace… Para meios acadêmicos uma rede interna de pesquisa… Enfim, aplicativos que utilizem a ferramenta da biblioteca e o uso APIs das redes para, por meio destas, encontrar o resultado desejado no catálogo. E mais, um resultado que irá variar de acordo com a rede em que está logado, com seu estado de espírito e objetivo naquele momento. Ah, mas quero ver os 7000 itens… Pesquise pelo catálogo, simples.
Aliás, este poderia ser até um meio de exibir diversas informações de diversos catálogos diferenciados e mais: ainda poderia dar dicas aos usuários, ou seja, uma DSI de acordo com o perfil, com seu histórico e contatos na rede.
Simples o que disse? Não! Loucura! Como fazer? Ah, é necessário pensar os sistemas, criar aplicativos… Nada fácil! Mas o que venho fazer aqui é jogar a ideia, pois vai que alguém leia e ache viável e resolva investir nisto. O que me atormenta é ver que as bibliotecas estão longe deste meio informacional.
Hoje um amigo meu disse que em seu trabalho mencionou a um funcionário de 19 anos sobre a Barsa e ele disse que não sabia o que era isto! Meu medo é que daqui há alguns anos o mesmo ocorra quando o termo biblioteca for mencionado. Alarmista? Claro, faz parte do jogo de provocações, mas ficar cada vez mais longe do ambiente que novas gerações vivem pode diminuir a importância de uma biblioteca, algo que não gostaria de ver acontecer.



Corrija por favor essas partes no textos, estão incorretas:
“ou seja, utilizado todo seu poder de mercado”
“É claro que isto incomoda os concorrente”
“Antes de tudo é necessário que as bibliotecas abram seus sistemas, permitem que seu conteúdo seja recuperado,”
Abçs.
“… pois vai que alguém leia e ache viável e resolva investir nisto…”
mais do que “viável”, a ideia é muito boa!
“… o que me atormenta é ver que as bibliotecas estão longe deste meio informacional…”
isso também me atormenta!
criar sistemas e aplicativos neste sentido pode ser difícil, mas não é impossível; pode ser uma questão de (pouco?) tempo para isto se tornar realidade
Sim, já vejo se tornar uma realidade mais do que interessante e relação ao conteúdo da web. Depois desta iniciativa do Google, exclusivamente para seu produto, facebook e twitter já criaram um modelo para mostar que seu volume de informações também é útil como filtro. Quanto mais redes melhor, mas deve haver a possibilidade de selecionar uma ou outra para servir de elemento de filtro e condizer com aquilo que o usuário pretende naquele momento, pois como coloquei, existem redes para as mais diversas finalidades, onde as pessoas tem interesses distintos e que podem servir para filtro para as informações desejadas de acordo com o que o indivíduo procura naquele momento.
E para os que dizem que rede social não deveria servir como filtro pois as pessoas “só publicam bobagens”, imagine usar o linkedin, rede sobre livros, sobre música e esta mencionada no link a seguir: O show vai começar agora! RT @rodrigokanayama Em 1 hora a Terra será atingida por uma tempestade solar. http://t.co/qhbaY9g5 – uma rede para discussão científica. Imagine buscar no google de acordo com a visão de seus pares, imagine portar isto para as bases de dados de bibliotecas.
A ideia do ultimo tweet, ispirada no anterior, é vista a grosso modo em http://t.co/yQilTgPJ veja comentários e discuta
Ótimo texto Alex! É verdade, as bibliotecas vivem encapsuladas num tempo que não é o nosso, afinal, vivemos na dita sociedade da informação, onde a informação ganha valor de mercado a cada dia, e as bibliotecas… Bem, as bibliotecas continuam cheia de poeira, com gente pedindo silêncio e com bases inacessíveis…
Acho q iniciativa do Google louvável (óbvio que não vou entrar no mérito de prática de mercado ilegal etc), afinal o volume de dados produzidos só cresce e achar o que desejamos se torna cada vez mais difícil, vale a pena pensar sobre isso!
A ideia é excelente e deve ser aplicada. Eu acredito que o termo biblioteca ou vai deixar de existir ou não será como conhecemos hoje. Devia mesmo ter uma forma de buscar conteúdo fácil e baseado no seu perfil até mesmo para as pessoas se informarem melhor. Quantas vezes no dia vocês se deparam com informações falsas ou julgamentos errados em rede sociais justamente porque as pessoas não pesquisam ou não tem agregado a elas um site que busque a informação como ela quer?
O Facebook já tenta fazer isso com os logins em vários sites diferentes. Cada login que você faz, ele já traça o perfil do seu usuário. Resta agora conseguir fazer exatamente isso ter uma busca adequada ao meu perfil e o que estou fazendo no momento.
O interessante é que poderíamos ter perfis em várias redes com objetivos diferentes e utilizar como filtro as informações de nossas relações nestas redes de acordo com a necessidade daquele momento, utilizando o nosso perfil da rede que mais se adequasse como filtro. O problema maior é que cada rede tem sua estrutura, mesmo que cada vez mais parecida, porém não é um impedimento. Criar redes científicas ajudaria, pois daria visão da ideia para muitos que quanto não acham a palavra ciência explicitamente associada a questão levantada acabam vendo aquilo como algo menor. Já existem rede social para cientistas e na minha visão, coloquei isto no twitter e um dia publico aqui, seria muito interessante a plataforma lattes se tornar uma rede social científica.
O problema nas bibliotecas é grave e começa por elas, em sua função de disseminar decepada, com sistemas de Bibliotecas fechados aos buscadores, com informações de bases de dados fechadas em si e não recuperáveis por buscadores como google e cia. Este é um problema grave maior que qualquer problema tecnológico, pois demonstra problemas na própria função de uma biblioteca. O Moreno Barros falou muito bem sobre isto em sua apresentação no Bibliocamp2011 que ocorreu em dezembro. Infelizmente o vídeo da apresentação dele não está na web ainda, mas em breve estará.
Mas aí entra um problema pior que disseminar a informação: direitos autorais. Poderíamos sim, abrir nossas bases, deixar as pessoas terem acesso as teses e informações e até ler livros via web como o próprio Google já tem. Mas ele mesmo está sendo alvo de vários órgãos contestando se isso é quebra de direito. Senão me engano, ele tinha até aquele projeto de digitalizar os livros da biblioteca britânica e teve que ser refeito porque infrigia essas regras.
É um assunto delicado, polêmico mas que deve ser tratado de forma competente e profissional. Nós bibliotecários não temos que ter aversão a isso, e sim entender esse processo e lutar por ele.
Depois vou escrever um outro texto, pois o assunto nos comentários acabou se tornando 2.
Um é o uso de sua rede para busca em sistemas de bibliotecas. Neste caso os dados usados seriam os públicos, já que todas as redes permitem esta distinção entre público e privado. No outro ponto os dados de catalogação também deveriam ser abertoa, pois exceto em bibliotecas privadas, na grande maioria os dados das bases são públicos. Mas o assunto passou a outro aspecto quando dei a ideia de que o a plataforma lattes pudesse virar uma rede social (depois pretendo escreverá um novo texto focando este detalhe). Neste aspecto falei em integração com repositórios e bibibliotecas digitais de teses e dissertações. A plataforma lattes em si, se tornada uma rede, já tem dados para segmentar os usuários por interesses. Com as publicações poderiam ser integrados sistemas de comentários e compartilhamento… assim, mais dados para serem utilizados como filtros. A questão é que as teses, dissertações e outros trabalhos em repositórios envolvem a questão dos direitos autorais. Mas tornando-se uma rede social baseada em un currículo, quem iria liberar ou não a divulgação de um trabalho seria o próprio autor… as bibs e repositórios ficaria a responsabilidade de formar algo integrado que facilite e incentive um autor a compartilhar seu trabalho. Fora isto, trabalhos feitos em colaboração, como tentou ser o Google Know, e debates/comunidades formariam o desenho que uma rede, onde seus dados compartilhados e suas relações poderiam facilitar na consulta em buscadores da web e bibliotecas, mas para isto os sistemas de bibliotecas deveriam se adaptar. Amaria ver o Google distribuindo un sistema para bibliotecas open source, já com as ferramentas de integração… seria excelente. Já escrevi bastante, mas em breve devo soltar outro texto com este aspecto lattes/rede, pois o papo começou de uma forma e ganhou acréscimos que acredito que merecem ser destacados de forma melhor.
Só para complementar.. a ideia é incentivar os autores a liberarem seus trabalhos, descobrir melhor o que determinada pessoa ou grupo de pessoas pesquisam e buscar entregar o melhor resultado com estes dados considerando as diversas redes e os mais diversos interesses de um indivíduo, porém, em muitos casos o usuário teria apenas a referencia e a necessidade de ir a biblioteca ver o impresso. Mas com uma ferramenta de criação colaborativa ficaria o incentivo para novas publicações, diretamente disponibilizadas na rede. Publicações que serveriam não só como novos conhecimentos, mas como bando de informações dos usuários, de modo a entregar melhor o que este necessita. Acho que agora me expliquei até melhor.
Sim! E ficaria ansiosa pra ver um projeto desses indo pra frente. Tá aí uma boa tese que deveria ser elaborada e implementada. Ficarei de olho no blog pro próximo post! Espero que arranque mais debate e novas ideias como esse =)
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Olá Alex! Parabéns pelo artigo. O seu texto, a sua vontade, a sua fala não é uma utopia. Podemos fazer sim e existem pessoas trabalhando nisso. Eu vejo com maus olhos os sistemas de bibliotecas possuírem a mesma proposta de anos atrás. Estamos inseridos num contexto absurdo de compartilhamento, de interatividade, e o modelo jurássico continua. A grande questão é como fazer isso? Enquanto docente, tenho colocado essa questão com cautela, pois sou visto por alguns como um “louco”. Os alunos gostam, se interessam e querem pesquisar. Só a empolgação na vale. Preciso de estrutura também e espero ter as condições mínimas, em breve, para colocar em prática o que eu vejo para as bibliotecas, não do amanhã, mas de hoje. Enquanto isso, vou prototipando e construindo os meus “Franksteins”.