Na Biblioteca Nacional, onde trabalho, existe um usuário que constantemente critica o trabalho de jornalistas. Diz ele: Chegam, em menos de 1 hora fazem uma pesquisa e já levam aquilo como o certo, como a palavra verdadeira, para publicar em revistas, transmitir via jornais, etc. Sim, o jornalismo vem sendo pressionado pela web e muitas informações não são pesquisadas de forma profunda, gerando verdadeiros “vacilos jornalísticos” como a informação divergente sobre o local onde caíram 3 prédios no centro do Rio de Janeiro no início do ano.
Mas não, este não é um texto para criticar jornalistas, aliás, vivemos, nós bibliotecários, o mesmo problema: A pressão que a web faz sobre aqueles que trabalham com informação, tanto na criação, quanto na disseminação. Mas a pressão não é justificativa para que não se faça seu próprio trabalho, pelo menos o mínimo: foi isto que cometeu Luis Antônio Giron em seu texto Dê adeus as Bibliotecas.
Qual foi o erro? A partir de uma péssima experiência o jornalista atacou uma classe/um tipo de instituição. Sim, não pesquisou e por isto não conseguiu entender o que são as bibliotecas nos tempos atuais (e claro que não é aquela que ele visitou o modelo que queremos), não analisou a existência de diversos tipos de bibliotecas e que muitas colaboram com o desempenho de empresas e não buscou saber as diversas facetas do trabalho dos bibliotecários.
Qual foi o maior absurdo cometido pelo jornalista em seu texto? Foi exatamente o motivo de este texto ser publicado no Bibliotecno: a exaltação da tecnologia. Giron chega a substituir as bibliotecas por lan houses e ai é que esta o grande problema de muitos jornalistas como ele demonstrou ser. A Web tem tudo? Não!, Mas ela tem conteúdo que não existe nas bibliotecas. São ambientes complementares. A web não é tudo!
O problema é a dificuldade de se chegar a um conteúdo da web, um ambiente com um volume enorme de informações, recuperadas por sites de buscas, que criam filtros de acordo com o que é mais lido, mesmo que seja um absurdo, e somado a interesses comerciais. Existem os “websuficientes” e para determinadas pesquisas isto nem é um problema, contudo, quando a web é vista como “o todo” isto se torna um problema. Acreditar que o que aparece nas duas ou três primeiras páginas do Google é o relevante, o essencial, é um erro maior ainda.
Então a web não deve ser utilizada? Claro que deve, porém, há uma classe que vêm a anos estudando formas de pesquisa de conteúdo, de interpretação de solicitações e que visa auxiliar as pessoas na ação de encontrar aquilo que deseja em um tempo menor. Que classe é esta? A dos bibliotecários! E Senhor Giron, isto se chama Serviço de Referência, que inclusive vem se adaptando ao mundo digital. O bibliotecário se especializa em fontes de informações, entre elas as digitais, para auxiliar a sociedade, que se vê perdida em meio a tanta informação, cometendo erros como alguns jornalistas estão cometendo, divulgando informações incompletas.
Não estou falando de todos os jornalistas, mas de alguns como Giron, pois na biblioteca onde trabalho diversos jornalistas fazem suas pesquisas, fundamentam o que irão publicar e são auxiliados por bibliotecários. Para estes bons jornalistas – não estou dizendo que Giron é um jornalista ruim, mas que cometeu um pecado digital – , a biblioteca não morreu. Aliás, na Biblioteca Nacional, existem jornalistas (e historiadores também) que auxiliam o trabalho de bibliotecários. Bem, o presidente da Biblioteca Nacional é jornalista, e duvido que ele acredite que as bibliotecas acabaram.
Outro absurdo é dizer que prefeituras não deveriam investir mais em bibliotecas. Ah Giron – aqui seu pecado foi mortal – , muitas bibliotecas estão como aquela que você encontrou devido à falta de investimento de prefeituras. Falta investimento nas bibliotecas públicas, quase sempre mantidas por doações (pode ser por este motivo que não tenha encontrado o livro desejado) e por falta de compra de livros através das prefeituras. Em muitos casos não há contratação de bibliotecários. Giron, já pensou que a pessoa que te atendeu pode não ser uma bibliotecária, que pode ser uma pessoa não capacitada (Isto com certeza é).
Agora, não vou negar que existam muitos bibliotecários com má vontade no ato de atender as solicitações dos usuários, na maioria dos casos bibliotecários com o perfil mais voltado ao processamento técnico, algo normal, mas que deveria ser corrigido (neste caso pela prefeitura). Sim, muitos profissionais agem como a “bibliotecária” que atendeu Giron agiu, e nisto ele tem razão de reclamar. É necessário eliminar falta de pró atividade de muitos profissionais, a falta de vontade de colaborar com a evolução da profissão por muitos e de se adequar aos tempos modernos.
Infelizmente Luis Antônio Giron fez o Bibliotecno sair um pouco do estilo de seus textos, mas é bom observar que algumas pessoas observam a biblioteca da mesma forma de Giron (com razão e agora com o apoio do material publicado pelo jornalista – e que bibliotecários deverão se aperfeiçoar mais e mais, utilizarem a web a seu favor, buscar resolver o problema informacional de um usuário, lutar por investimentos nas bibliotecas, tanto em tecnologia quanto na estrutura tradicional, e se adequar a realidade atual. Usar a web para divulgar o trabalho e auxiliar aos que precisam de informação também é nosso dever.
Felizmente os bibliotecários não são como “a pessoa que atendeu Giron na biblioteca” e os jornalistas não são como Giron, pesquisando a fundo antes de publicarem e utilizando as bibliotecas e bibliotecários como seus auxiliares. Quem caiu no conto de que na web tem tudo e é fácil encontrar o que lá tem é no mínimo inocente, ou quem sabe uma pessoa má intencionada.
Ah, as ferramentas divulgadas por Giron em seu texto (domínio público, archive.org) são excelentes… Bola dentro (ao acaso) do jornalista.
Ao jornalista recomendo reclamar da pessoa que o atendeu e não utilizar seu intelecto para acreditar que aquilo é a realidade de todas as bibliotecas.
Atualização: O jornalista e crítico vem se aproveitando das criticas para fazer audiência no twitter. Chegou mandar os bibliotecários irem caçar as bruxas. Adota uma posição polêmica, algo que muitos jornais fizeram ao longo dos anos visando a venda… Engraçado é observar a posição polêmica deste “jornalista” depois de em 2005 choramingar dizendo que a Veja estava fazendo calúnias sobre sua pessoas após um caso Waner-Ipod-Crítica-Maria Rita. Com o episódio é bem possível que Giron tenha aprendido a se tornar um caluniador de toda uma classe profissional e institucional.
3. edição, atualizado em 18/05/2012 as 12:19



Ótimo post Alex!
Faço das suas palavras as minhas! Parabéns!
PS: devemos divulgar para os pares!
Adorei o texto. Concordo em tudo. O problema do discurso do jornalista foi em fazer uma generalização a um caso específico e utilizar palavras grosseiras ao se referir ao bibliotecário. Se ele queria mudar a situação da biblioteca pública deveria ter escrito, ou pelo menos citado o poder público, pois é ele o maior responsável dessa situação. Não contratando profissionais qualificados, não oferecendo uma infra-estrutura adequada e sendo indiferente a atualização dos acervos. Como ele mesmo vem dizendo em seus comentários precisamos avaliar a situação, porque atribuir culpa ao profissional que atua no campo não vai resolver o problema. A biblioteca pública é interesse de toda população brasileira e não apenas do bibliotecário… Essa luta deve ser de todos nós, cidadãs e cidadãos brasileiros!!!
Agora siimm!! Graças a deus alguém sensato pra escrever sobre tudo isso.
Está de parabéns pelo texto e ideias.
Sou bibliotecária recém formada e também admito que muitos não Têm paixão pela profissão e acabam sim, atendendo mal os usuarios, com preguiça e tudo mais.
Sou totalmente a favor de bibliotecas PRINCIPALMENTE em bairros carentes, de população menos favorecida. Trabalho em um projeto desenvolvendo atividades de Bibliotecário, tudo manual, fichas em papel, livros acondicionados em armários fechados devido às goteiras e umidade.
Meu sonho é que a Prefeitura construa um prédio exclusivamente à biblioteca que estou organizando, com espaço para contação de histórias e tudo mais.
Tbm sei que sozinha, é difícil lutar por algo. Realmente os bibliotecários precisam se unir e reivindicar alguns direitos, os direitos que a sociedade tem de acesso à informação, e claro, de ser bem atendida.
Abraço
Até que enfim alguém respondeu ele de forma merecida, e tinha que ser você ne Alex os outros blog´s de biblio ficam passando a mão na cabeça desse jornalista enquanto ele continua a debochar da categoria no Twitter http://img29.imageshack.us/img29/9656/giron2.jpg Aliás o que é comum de um Jornalista fazer (Sim, eu Generalizei) como Boris Casoy debochou vide vídeo http://www.youtube.com/watch?v=f_E4j7vi3js&feature=player_embedded
parabéns pela resposta Alex, faço suas as minha palavras, o que mais me decepciona na nossa área e a falta de corporativismo, e como desculpa esfarrapada eles colocam culpa no próprio bibliotecário dizendo que o profissional não gosta do esteriótipo estigmatizado ao passar dos anos.
Alex, meu amigo, ninguém poderia ter escrito melhor. Abaixo a generalização, pois há excelentes profissionais ignorados por esse jornalista, que não cumpriu o seu dever de checar a fundo e dar a informação correta. Toda essa celeuma é também uma oportunidade para muitos profissionais refletirem sobre o significado da palavra “Biblioteconomia” em relação aos clientes/usuários: é serviço, é servir. Quando se gradua nessa área, ninguém está prestando um favor, mas cumprindo um dever a que se propôs. A denúncia da situação da BN também expôs negativamente (neste caso, de forma injusta!) os profissionais que lá trabalham, uma vez que não há como salvaguardar sem os recursos mínimos, por mais boa vontade que se tenha. Daí o porquê de certas informações irem a público de forma responsável, sob o risco de prejuízo à imagem de toda uma instituição, resultando em conotações injustas contra os que fazem um trabalho que beira o heróico. Um grande abraço, Alex!!!
Perfeito!
Só uma palavra: Excelente!!!
Realmente um texto que muito tem a ver ao ocorrido do (L. A.G,’Jornalista’)Situando as contradições dele em percepção do trabalho atuante do bibliotecário.
Parabéns ao post, Sucesso.