Ao longo desta semana o Bibliotecno está acompanhando o 1 Curso de Bibiotecas Digitais que acontece na Biblioteca Nacional. O Concurso que vai até sexta (06/07/2012) é transmitido via tweets pelo twitter @bibliotecno e pode ser acompanhado pela hashtag #bndigital. Veja abaixo o que aconteceu no primeiro dia.
Logo na abertura do evento algumas coisas são destacadas: que a Biblioteca Digital (BD) tem como importância dar publicidade aos acervos e que mesmo com algumas palestras centrando em coisas específicas, como metadados, a BD deve ser compreendida como uma série de processos que não engloba somente o objeto digital.
Luiz Sayão foi o primeiro a falar em duas palestras seguidas. Na primeira, “bibliotecas digitais e suas utopias”, ao mesmo tempo que se apresenta a tecnologia como item determinanda para uma BD aponta-se que a ideia não é nova, remetendo ao passado, na ideia de agrupar todos os acervos em uma grandiosa biblioteca, ou seja, o homem sempre buscou bibliotecas totais, algo expresso até na ficção literária. O interessante que enquanto se buscava, nunca se conseguiu a biblioteca total, devido em grande parte dos casos a destruição de uma biblioteca, que acabava com tudo de uma vez.
Hoje temos a possibilidade de fazer diferente, pois a BD, um repositório, cria a ilusão de que está tudo no mesmo lugar, como na ideia das bibliotecas totais, contudo, o acesso que é único, sendo em muitos casos a informação distribuída. O microfilme é apontado como uma tecnologia de destaque no interesse de ampliar o acesso e reduzir o espaço para mais e mais informação, pois, com ele era possível fazer duplicatas e distribuir a outras bibliotecas.
Sayão apresenta diversos precursores e recomenda a leitura deles: Welles, Outlet, Bus, Ted Nelson, Licklider e Lancaste. Na visão de Lancaster nem mesmo teríamos o papel no ano 2000 e as bibliotecas físicas se tornariam museus. Exageros a parte, a leitura de Sociedade sem papel do Lancaster é recomendada.
A tecnologia digital permite levar a preservação, ao acesso, mas apresenta desafios, como espaço de memória, novos documentos, coleções digitais, metadados, curadoria. Assim, existem visões distintas de uma BD.
- Biblioteconomia: um outro passo na automação, ampliação de recursos e serviços.
- Tecnologia da Informação: mais uma faceta da tecnologia da informação, hipermidia, interface.
- Governo: investimento, dar visibilidade.
- Editores: novo mercado.
- Professores: complemento do aprendizado, ensino a distância
- Arquivologia: alternativa ao micrfilme, fim do dilema acesso x preservação.
- Comércio eletrônico: mundo da informação inserido na economia global
- Pesquisadores: novas formas de criação científica, novos ambientes como o mundo colaborativo.
- Profissionais de cultura: visibilidade, multilinguismo, curadoria virtual, visibilidade para objetos raros.
Mesmo com diversas visões algumas questões são únicas como a frágil memória digital. A web não tem memória persistente e é preciso construir intencionalmente. Tecnologia e gestão. Deve-se mudar com a tecnologia, mas manter a autenticidade e confiança em ambientes certificados. Assim Sayão seguiu falando de documentos essenciais para certificação.
Já o objeto digital (OD) é o objeto representado por sequencia de dígitos binários, constituindo dados, metadados e identificadores. Os ODs podem ser simples como uma imagem, um arquivo de texto e fácil de serem gerenciados ou complexos como as páginas da web e de difícil gerenciamento. Novidades surgem neste meio, como o artigo científico como documento complexo, fugindo do modelo tradicional. Não temos mais apenas um texto, mas a possibilidade de textos mais um blog do artigo, vídeos, metadados. Tudo muda.
A informação digital deve ser interpretada ou não tem significado, pois diferente da tradicional não é visível aos sentidos. Assim, necessitamos de hardwares e softwares para interpretar. E como no mundo tecnológico as mudanças são constantes, metadados devem acompanhar o documento para interpretações futuras. Por exemplo: que software usar para a leitura de um documento? O metadado informará. Uma BD sem metadados tem tudo para se tornar bits de impossível interpretação no futuro. Precisamos de informação para interpretação futura: estrutural e semântica.
Após um intervalo Sayão retorna falando da preservação de acervos digitais. Para ele, esta é uma nova era que não ficará restrita a informação oficial, onde não ficaremos apenas com a versão dos fatos. Mas também é a era do esquecimento, pois como em 2045 ler uma carta escrita em um cdrom em 1995? É importante destacar que preservar não significa preservar mídias, mas o conteúdo da informação, pois manter a preservação focada na mídia significa perder informação.Deve-se atentar que uma mídia pode durar muitos, mas muitos anos, porém, haverá tecnologia para leitura de mídias passadas?
É necessário software e hardware para interpretar o conteúdo e este é o maior problema. No tradicional se preserva o suporte, mas no digital se preserva o acesso, sua possibilidade de reprodução. E não é só o software e o hardware que muda, a linguagem também, o que significa que há a necessidade de preservar o vocabulário também. Pela primeira vez temos que gerir algo que não vemos, que não está preso a um suporte.
E a mídia fica mais frágil com o tempo, onde quanto menor for o volume de caracteres por polegadas, mais frágil será. Neste universo é necessário criar conteúdo para durar, pois até a memória familiar está desaparecendo. Mas antes mesmo da tecnologia temos problemas de direitos autorais e conexos, algo que precisa ser vencido.
Mas o que preservar? O documento e suas funcionalidades? Apenas uma imagem do documento? São definições para uma política. A política deverá variar conforme o documento, a finalidade. Temos, por exemplo, a preservação de uma revista eletrônica, que devido a formatação e outros aspectos já difere de um simples texto em .txt. A política não é uniforme para todos os tipos de documentos, o que faz variar regras e formatos, mas que fique claro a necessidade de privilegiar formatos abertos, pois a preservação não é algo marcado no tempo (com formatos proprietários de empresas que podem sumir), mas um processo contínuo.
Como níveis de preservação temos o intelectual/conceitural, o lógico e o físico. E a preservação digital tem como tripé a tecnologia, a organização e recursos. Em alguns casos, como nos bancos, há situações onde se volta do digital para o analógico, devido a este ser mais barato. Assim, deve-se pensar bem antes de iniciar um projeto de digitalização.
Principais estratégias de preservação:
- Preservação tecnológica: algo que foge da instituição. Em muitos casos temos museus de equipamentos.
- Emulação: vinda dos gamers, é interessante quando se precisa da aparência original e quando não se tem conhecimento sobre os softwares originais. Mas a cadeia de de caracteres deve estar intacta é bom lembrar que o emulador deve ser preservado e até mesmo emulado no futuro.
- Encapsulamento: quando não se tem certeza da necessidade de preservar, deixa-se a solução para o futuro mantendo o dado, software, hardwares, manuais.
- Migração: se concentra no conteúdo intelectual, migrando mídias e formatos (ou versões de um formato) perdendo-se alguns aspectos originais, mas mantendo o conteúdo. Na migração é importante ter todas as modificações, passos registrados em metadados para questões de validade jurídica.
Na parte da tarde, Joaquim Marçal Andrade falou de imagem digital. Começou com trazendo a ideia do que são bits e bytes, a evolução da fotografia. Também trouxe a diferença entre imagem vetorial e imagem bit-mapeada. A primeira gerada por descrição geométrica de suas formas, normalmente compostas por retas, curvas. A segunda, não utiliza vetores, perde definição ao ser ampliada e é a utilizada em BDs.
A bit-mapeada utiliza o pixel, perdendo definição na ampliação, onde o pixel é o menor elemento da imagem digital. Cada pixel tem um forma de cor uniforme, dando a ilusão do elemento como um todo. A cor uniforme do pixel vem de uma palheta de cores e neste aspecto é bom observar que temos as cores de luz e as de impressão. As cores de luz primárias são o vermelho, o verde e o azul, ou o conhecido RGB, enquanto que na impressão temos o amarelo, magenta e ciano (aquelas aprendidas pela maioria na escola primária). Para imprimir corretamente é necessário ter o perfil de cores correto.
Alguns conhecimentos básicos:
- Dimensão de arquivo não é a mesma coisa de tamanho de imagem, mas há uma certa relação. A resolução é o numero de unidades por uma determinada área e quanto mais se amplia os PPIs, mais se permite a ampliação, porém, o tamanho do arquivo é maior, o que gera custos para uma BD. Quanto maior o PPI mais dificil será ver o elemento básico da foto, o pixel, isto é, menor será a sensação de imagem quadriculada, mas a alta resolução nem sempre significa melhor qualidade.
- Profundidade de bits : significa mais bits por pixel.
- Alcance dinâmico: faixa de luminância que uma câmera consegue capturar.
- Compressão: é importante saber que há a possibilidade de se guardar imagens em diversos arquivos e alguns comprimidos, que reduz o tamanho do arquivo. A compressão nem sempre traz um problema visível, mas ninguém sabe sobre as tecnologias futuras e uma BD é feita para durar. Atualmente se usa com mais frequência o tiff para preservação e o jpeg para acesso.
E assim terminou o primeiro dia do evento.



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