Ultimo dia do Curso de Bibliotecas Digitais da Biblioteca Nacional, um curso que buscou em diversas palestras nivelar o conhecimento de diversos profissionais para o que é feito, para o que se espera de bibliotecas digitais e repositórios. Neste quinto dia os temas foram: Curadoria digital, com Moreno Barros; A web, cultura digital e bibliotecas, com Carlos H. Marcondes; Repositórios institucionais, com Simone R. Weitzel; e . O evento ocorreu entre os dias 2 e 6 de julho e aqui no Bibliotecno você encontra o resumo diário, a ideia central do conhecimento transmitido no evento, em Curso de Bibliotecas Digitais da Biblioteca Nacional.
Não diga adeus as bibliotecas! Esta é a mensagem que Moreno Barros passa em sua apresentação Curadoria Digital, onde digitalização não pode ser vista apenas como fornecimento de acesso, em que redes sociais não podem ser vistas apenas como algo para alguns viciados e onde toda a sociedade deve ser vista como usuário potencial.
Em uma biblioteca digital devemos pensar: quem são os usuários agora? Qualquer indivíduo, diferente da biblioteca tradicional, onde as barreiras geográficas impõe limites ao acesso. Porém, existem problemas nos modelos de bibliotecas e estes acabam chegando no mundo digital: bibliotecários decidem o que publicar, há uma replicação da abordagem física para o mundo digital e este é um problema quando todo o mundo é seu público alvo, pois, não estamos falando apenas para aquele pesquisador especial.
A biblioteca ainda espera o usuário, que ele vá a biblioteca. Assim funcionou por anos no modelo tradicional, mas infelizmente é assim que estão trabalhando muitas bibliotecas digitais. O usuário deve ir ao portal da biblioteca digital, quando não existem outros caminhos mais complexos, e lá chegar a um catálogo que replica o mundo tradicional, etc. Mas não é isto que deve ocorrer, a biblioteca é que deve ir a onde está o usuário nestes novos tempos, o catálogo deve aparecer no google… Deve-se estar visível! E para que criar imagens de alta definição e por na web… O povo não quer isto! Não devemos confundir isto com não criar a imagem em alta definição, pois ela deve ser feita pensando em fins de preservação a longo prazo, para entrega ao usuário especial, quando este necessitar, mas não deve ser o acesso principal ao público. Não se pode por no ar um arquivo de 200mb para uma obra e achar que está acessível em um país com problemas de banda de internet, não quando o foco deveria ser todos. Estamos com alguns problemas de rede.
Como já foi dito anteriormente, na web, os catálogos são acessíveis, mas os “caras” tem que vir a biblioteca.. Isto não serve! O problema que resulta neste modelo é que os projetos de digitalização são muito focados na digitalização. E o investimento em marketing, em curadoria…? Moreno diz acompanhar os projetos e afirma que quase nenhum menciona a divulgação do acervo e que a curadoria, quando implantada depois do projeto já estar concluído, recebe o menor investimento, ou seja, gasta-se muito para dar acesso, mas pouco para tornar isto conhecido, resumindo, gasta-se muito de todos para poucos!
Alguns problemas mais críticos abordados por Moreno são: a necessidade de por os recursos mais descobríveis, mostrar o que temos de melhor tanto para pessoas quanto para robôs. Devemos tornar tudo VISÍVEL! Não espaço para tesouros escondidos nesta nova era. Nós temos muita coisa boa em nossa guarda, mas eles estão escondidos, cobertos por uma série de barreiras. Devemos ter tesouros, mas ao acesso de todos. Devemos pensar no google (e concorrentes) e por as coisas rastreáveis.
Redes Sociais
Devem servir para ajudar em seu trabalho, ser usada para exploração ad hoc, como estratégia para difusão e interação, pois muitas (todas) as pessoas estão lá, e as redes sociais são de baixo custo. Infelizmente, redes sociais, no Brasil, aplicadas as bibliotecas é algo que não deu certo, mas ainda há um potencial a ser explorado. O projeto de rede social deve estar incluído ao seu trabalho, entrar na carga de trabalho.
A curadoria é um nome novo para algo velho problema.. é disseminação. Pensando em redes sociais, O bibliotecário é um profissional que sabe usar as ferramentas para divulgar, mas está muito focado em informações para seus pares, contudo, a divulgação institucional não funcionou.
Bibliotecas digitais resolvem a barreira da acessibilidade, curadores de conteúdo resolvem o problema da barreira para participação, buscando refinar a informação, enviando a informação para usuários. É DSI! São polinizadores necessários entre o acessível e o acesso real. Devemos mudar o modelo, pois a teoria de Rabganathan estava relacionada a teoria da escassez, enquanto hoje temos a abundância. E pensando nesta abundância, há um problema de filtragem. Seu filho fica o dia inteiro no facebook? Este não é o problema. A questão é a falta de filtros, algo que vem de um problema educacional e os bibliotecários devem levar a estes o conhecimento de muita informação “boa” que disponibilizamos.
Nós bibliotecários temos o conteúdo com acesso ilimitado as coleções, reconhecemos fontes confiáveis e não precisamos entrar na disputa ética da criação. Em muitas situações, o criador da informação, ou o gestor da mesma, não vê com bons olhos a divulgação de materiais seus por terceiros, utilizando seu conteúdo. A nossa vantagem é que todos os criadores de conteúdo consideram o bibliotecário como guardiões de conteúdo deste sempre.
Para curadoria você deve responder: Quem é o público alvo? Qual conteúdo? Impedimentos legais? Quanto tempo dura? Como as pessoas vão acessar? Onde ele vai ficar? Quem vai ser o curador?
5% em 50%… A rede social não vingou? É necessário ter um funcionário para trabalhar com elas em curadoria, e isto tem que entrar no projeto da biblioteca digital, o profissional dedicado à moderação /facilitação. Mas qual ferramenta social usar? Onde estão seus usuários!
Moreno sugere… Flickr, pinterest, tumblr para imagens, WordPress para conteúdo, Facebook e twitter para interação archive.org e para guarda. E o bibliotecário deve conhecer a fundo o ferramental, mas, para se ter uma ideia, as bibliotecas brasileiras ainda não criam aplicativos de Smartphone e Tablets para seus eventos, excluem este meio de divulgação e ampliação no fornecimento de conteúdo. Tem que se contratar alguém para criar o aplicativo? Que se contrate! É um investimento para a sobrevivência. Outra questão é a de identificação do bibliotecário como profissional de disseminação/interação com o usuário. Em blogs, ferramentas não formais, o bibliotecário é que deve se identificar pelo conteúdo, não colocar como um conteúdo da instituição, aliás, a instituição já reconhecida por ser este blog uma ferramenta dedicada a ela.
Coisas que devem ser feitas: o monitoramento e a dispersão do conteúdo deve entrar na conversação. A estatística deve ser divulgada! Deve-se buscar retornar novas informações para a sua comunidade social (intervenção e feedback). Exemplificando este ultimo item: não sabe os dados de uma foto? Coloque na web, em ferramenta não formal, mesmo sem dados levantados e tente conseguir os dados por interação junto com os próprios usuários. Faça o usuário colaborar até mesmo com a catalogação. As instituições tem que informar os direitos de uso, licenças, para que um curador externo possa saber o que pode usar.
O que é boa curadoria? Que distingue a excelente curadoria de conteúdo do ruído ou spam é o conhecimento e habilidades do curador.
Questões para o futuro… Facilitar a descoberta automática de conteúdos de qualidade!
O canal Viva, por exemplo, é um canal para exibir os tesouros da Rede Globo. Há curadoria quando se decide o que entra no viva. Moreno dá o exemplo da Library of Congress de uma imagem que tinha poucos acessos em seu catálogos, mas que passou a ganhar muitos quando a instituição replicou esta no Flickr, e nos comentários da ferramenta usuários começaram a dar informações sobre as fotos que a biblioteca não tinha conhecimento. Isto não aconteceria no catálogo OPAC.
Moreno utiliza a ferramenta Pinterest – http://pinterest.com/morenobarros/ - para divulgar imagens, inclusive de bibliotecas, como em http://pinterest.com/morenobarros/biblioteca-nacional-digital/
A palestra de Moreno tirou os bibliotecários presentes da zona de conforto, mostrando a resistência de alguns, porém, esta era uma finalidades da apresentação, pois romper o tradicional com o novo sem algumas resistências é impossível.
A seguir veio “A web, cultura digital e bibliotecas”, com Carlos H. Marcondes, uma palestra que veio para discutir os dados abertos, uma proposta que vem da web semântica.
Cultura digital: A internet vem sendo a plataforma para registros da cultura humana, produção, acesso e intercâmbio não só de acervo histórico convertido, mas de meio nascido digital passíveis de serem colocados na internet. Hoje nos temos cada vez tipos de conteúdos somados aos conteúdos textuais e com a Internet aumentou a responsabilidade de potencializar o uso dos acervos.
Desafio: Autonomia crescente dos usuários. As bibliotecas deve se planejar para terem mais e mais serviços em rede, deve- se ter integração com a gestão do conhecimento, ensino a distancia, corporativos, científicos, integração com outras instituições de cultura e com outras instituições.
Hoje nos temos o opac na Internet. Um sistema que aparentemente resolve todas as questões, mas se eu for consultar um catálogo e por um nome no campo de issn ele não entende que aquilo é o nome. Nossos sistemas tem pouca interpretação semântica, dependendo da intervenção humana, de regras. A questão é que nossos sistemas de bibliotecas não conseguem interpretar o que o usuário quer. Dependência de quem entende o modelo… O bibliotecário! Observe que padrões como o Marc, protocolos como o Z39.50 são exclusivos e restritos de nossa área. São estes padrões somados aos softwares de bibliotecas, os elementos que impedem uma interação na web. Observe que o Marc só tem o 856 para se fazer um link. Os gerenciadores de bibliotecas são limitados, o registro fica preso ao catálogo sem integração com a web. Motivo : estes registros dependem dos softwares com padrões antigos.
Assim temos problemas como dependência da intervenção humana, a mesma entidade representada por sistemas e semânticas distintas, problemas de descoberta e recuperação.
A proposta da web semântica seria uma extensão da web atual, trazendo significado as páginas da web, permitindo que softwares possam fazer soluções mais elaboradas por causa da semântica. A proposta é forte, ambiciosa, pois se o projeto for bem conduzido à web semântica poderá acompanhar a evolução do conhecimento.
A parte mais desenvolvida da web semântica é a interpretação de dados. Programas/agentes atuariam sobre informações estruturadas, mas a inteligência não poderia estar nos programas, deveriam estar nas informações. Os computadores usam a lógica formal, dedutiva, mas esta é baseada na forma e não no conteúdo.
Um dos conteúdos estruturados é a ontologia, onde a a informação pode ser deduzida pela interligação dos conteúdos e ao programa bastaria entender as ligações.
Web semântica… Linguagens estruturais… Xml, xml schema, rdf, rdf schema, owl,
Seguindo a ordem acima, é a partir do rdf que se pode falar em alguma semântica. Um documento idenficado em rdf difere do xml por identicar itens e definir a ordem. No rdf há uma semântica com sujeito, predicado e objeto e no xml não há nada disso, nem ordem, nenhum pressuposto para o computador entender. No rdf você pode falar que o autor é o criador da página, por haver uma semântica.

Exemplo da informação estruturada em RDF, repare que para uma informação, como uma URI ou URL há uma sequencia de informações atreladas, uma contextualização. Obs: este não foi um exemplo apresentado por Macondes
Já o owl tem como pressupostos semânticos, classe, subclasse, propriedade, domínio, escopo, transitividade, cardinalidade. Na medida que eu tenho contudo altamente estruturado , o computador poderá ser dotado da interpretação.
A proposta: ao invés de ligar por links tradicionais, como você faz no 856 do Marc, fazer por links semânticos. A grande questão dos dados abertos, da web semântica, é poder reutilizar os dados.
Proposta: imagine o catálogo da LoC com todos seus problemas de interação com a web, convertendo está catálogo para Dublin Core eu poderia dizer que um campo é determinado elemento do DC. fazendo isto em xml conseguimos muito pouca capacidade para leitura por maquina.. Resolve apenas a leitura humana. Em rdf o identificador poderia ser interpretado. Mas nos dados da LoC há um número de registro que não serve para nada (no que tange ao conteúdo desta palestra), porém a LoC oferece o link permanente, a URL, em que a catalogação passou a ter existência independente do catalogo. Para dados abertos interligados são necessários os links permanentes, o URI.
A idéia é ligar catálogo, wikipedia, youtube e mais informações sobre o item.
Na parte da tarde, tivemos “Repositórios institucionais” com Simone R. Weitzel. A palestrante falou sobre repositórios, principalmente os institucionais.
Breve histórico… Importância da adoção das TICs em bibliotecas… A idéia de acesso fácil a informação ao alcance das mãos surgiu com o Memex. Vannevar Bush buscou mostrar aos cientistas que deveriam se envolver em dar acesso a informações, um modelo de comunicação científica.
Modelo que nos levou aos dias de hoje. Chegada do computador > bases de dados comerciais, Marc, protocolos.
- Redes de informação (catálogos coletivos computadorirado em 67 )
- Surgem os hospedeiros de bases de dados, como Dialog (70),Orbit Questel, etc.. E depois o surgimento das OPACs
Enquanto isso, mais inovações… Hipertexto, Arpanet, Internet e web… Seguiam junto ao modelo anterior. Mas o acesso universal estava muito longe, para tudo se tinha que pagar muito… Crise das revistas científicas. Na década de 90 as coisas mudaram com a adoção das TICs pela comunidade científica. Vieram novas dinâmica no processo de comunicação científica, acesso livre e domínio das tecnologias. No novo modelo temos os metadados Dublin Core, protocolos, provedores de dados, de serviços e a convivência com o modelo anterior.
Re-estruturação do processo de comunicação científica. Modelo tradicional reflete uma ideologia interna e envelhecida com o mediado, e o eletrônico com o acesso direto. Em 99, na convenção de Santa Fé, veio a ideia de juntar tudo numa interface sem apropriar-se do material de cada um… surgem os provedores de dados e serviços e depois o protocolo OAI – PMH.
São princípios do acesso aberto: auto arquivamento (disseminação), revisão pelos pares (fidedignidade), interoperabilidade (acessibilidade). A ideia é depositar o que foi revisto e evitar o gasto com as revistas.
Sobre os provedores de dados e serviços, poderíamos fazer a seguinte comparação. Revista.. informação primária. Provedor de dados.. secundária. Provedor de serviços.. terciárias.
Softwares provedores de serviços: antes era bem usado o Arc, mas hoje tudo que é usado tem sido PKP.
Repositório digitais… É um arquivo que reúne coleção de documentos digitais, adotando a mesma forma de descrição para a interoperabilidade, podendo os dados serem coletados por sistemas virtuais globais. Visa permitir o acesso organizado e livre a toda produção científica, feito de forma descentralizada e dependendo da iniciativa de cada autor.
Tipos: Institucionais, que reúnem a produção científica de uma instalação e temáticos, para uma área.
São vários os softwares existentes, mas o DSpace é mais utilizado no Brasil, o devido ao suporte o IBICT.
Novo modelo de periódicos de acesso aberto ou livre – Estrada dourada – implementação de revistas já no formato livre e interoperável. Auto arquivamento – Estrada verde – editores aceitam que os autores possam depositar livremente uma cópia de seus trabalhos em repositórios públicos de acesso livre.
Projeto Romeo, apresenta a política editorial das revistas científicas para apoiar a estratégia de auto arquivamento. O projeto Romeo mostra numa tabela de 4 níveis de cores, apresentando o que pode ir para o repositório. Se preprint, posprint, ambos ou nenhum. Mas o Romeo é um projeto local. No Brasil tem o Diadorim – diadorim.ibict.br – com a política editorial das editoras em relação a publicação em repositórios.
O evento terminou com o “Projeto de construção do data center da memória documental brasileira” com Geraldo Chaves. Este é um projeto que vem sendo pensado há 3 anos. A Implantação do data center visando salvaguardar, preservar e dar acesso. Hoje já são 8 terabytes de dados. Neste momento a implantação do data center esta na construção da sala segura no prédio sede da Biblioteca Nacional.
Os equipamentos a serem instalados comportam 500 terabytes iniciais, cloud computing HP Cloud system Matrix. Servidores Blade HP. HP 3PAR storages. e será possível crescer até 2 petabytes. A HP apoiou o projeto, quando soube que era a Biblioteca Nacional que iria comprar um, até então um outro tipo de equipamento. Acredita-se que o data center já esteja funcionando em setembro.
E assim terminou o evento.
VEJA COMO FOI O PRIMEIRO DIA AQUI
VEJA COMO FOI O SEGUNDO DIA AQUI
VEJA COMO FOI O TERCEIRO DIA AQUI
VEJA COMO FOI O QUARTO DIA AQUI




Acompanhei um pouco sobre o curso. Obrigado pela cobertura.
Olá
Gostaria de saber se vai haver o curso de biblioteca digital em julho de 2013?
Agradeço a atenção