No último ano o Livro eletrônico ( e-book ) ganhou mercado com o lançamento de vários e-readers , principalmente nos EUA, com destaque para o Kindle, da Amazon. E foi na Amazon que no mês de dezembro pode-se ver o desempenho do e-book , superando a venda de livros em papel. A realidade dos EUA é bem diferente da Brasileira, contudo, já vemos ações como da livraria Gato Sabido, abrindo campo para o livro eletrônico no Brasil. Este histórico, e também o destaque que os e-readers ganharam na CES 2010, com lançamento de vários aparelhos das mais diversas marcas, trazem a tona o que é uma preocupação, para uns, e evolução e excitação tecnológica, para outros: a substituição, no livro, do papel pela tecnologia.
Se o parágrafo anterior demonstra o crescimento do uso do e-reader para a leitura de livros, o que podemos dizer em relação aos jornal e as novas tecnologias. Existem muitos jornais que já são disponibilizados através de e-readers e com suas versões online adaptadas para as telas pequenas de smatphones, contudo, o real competidor do jornal em papel ainda é a versão online produzida para telas de computadores, prendendo usuários a PCs de mesa e a notebooks. Não queremos dizer que o acesso as versões mobile não tem crescido, mas a visualização através de smartphones e PDAs esbarra no tamanho da tela e no conteúdo reduzido, enquanto que em livros eletrônico, como o kindle, temos também uma tela reduzida, quando comparada a um jornal impresso e a um computador pessoal, e a falta de cores, característica presente em quase todos os e-readers.
O certo é que em vários países há uma queda no uso de jornais impressos, sendo estes substituídos por algumas forma de distribuição de contudo digital. Neste blog existem vários alertas em relação a esta transição do suporte do jornal, onde é recomendado a leitura dos seguintes textos:
Circulação dos jornais cai 4,8% no Brasil, mas assinatura dos jornais online cresce 12,5%
Impactos da internet no jornalismo impresso
A 1a cidade dos EUA a ficar sem nenhum jornal diário, vai fazer falta?
Declina a circulação de jornais impressos nos EUA
Mas esta transição tem resistências nas próprias produtoras jornalísticas pois até o momento não existe um modelo de negócios realmente lucrativo na web. Muitas acusam o Google de distribuir o conteúdo dos jornais de forma gratuita e esbarram no problema do usuário preferir o acesso ao conteúdo gratuito. É bom salientar que a preferência do usuário ao conteúdo gratuito foi alimentado pelas próprias produtoras de conteúdo, na época em que as versões online não eram consideradas um produto que competisse com o impresso e sim uma peça publicitária para a versão em papel.
No campo da preservação do conteúdo, o que inclui a biblioteconomia, observamos que quase nada se tem feito. Os próprios jornais não conseguem preservar seu conteúdo da forma com que foi apresentado na web, mantendo não apenas as características verbais, mas também, a linguagem não verbal. Um dos campos que pode ajudar a preservação deste conteúdo é o conceito de arquivamento na web (neste blog existem vários textos sobre a temática) mas mesmo assim, na prática, não é possível, ainda, ver um arquivo da web que consiga preservar efetivamente um jornal devido a sua constante mutação.
Neste campo ainda reaparecem os tablets, que no tópico http://alexdasilveira.com/#post-279 , apresentamos como um suporte que possa permitir um acesso mais eficiente as revistas online que em PCs e notebooks e que poderia ser adaptado facilmente adaptado aos jornais online. Contudo, outras novidades ainda aparecem no mercado e da LG temos o painel e-Ink flexivel de 19 polegadas lançado apresentado pela marca no mês de janeiro.
O papel e-Ink da LG tem o tamanho de uma página de jornal o que apresenta a mesma sensação de segurar um jornal impresso. A tela pode ser “deformada” sem se qu
ebrar, mas devem haver limites ainda não apresentados pela empresa. Sua vantagem, além do tamanho, está na espessura de apenas 0,3 milímetros, contudo, o peso (130 gramas que deve ser somado a placas de circuito e bateria) pode ser um problema. Mesmo sendo flexível, não é possível manter o papel eletrônico dobrado ao meio, como ocorre com os jornais em papel, pois ele sempre irá retornar ao seu formato original, porém, a utilidade da dobra do jornal em papel deve-se ao seu quantitativo de páginas, o que não deverá ocorrer com o papel eletrônico.
Uma questão importante a ser verificada é relativo ao conteúdo que deverá ser distribuído nestes “jornais eletrônicos”. Deve-se ficar claro que não há previsão de uso pelo mercado do e-Ink, mas se um dia for utilizado, o conteúdo dos jornais neste suporte será o mesmo de jornais em papel, jornais para e-readers, jornais online, jornais mobile ou uma outra variante? Esta é uma característica importante em termos de preservação já que com o surgimento de novas tecnologias o jornal vem criando conteúdos distintos para cada uma delas, gerando variações que devem ser preservadas. Neste caso teríamos mais uma variação ou este suporte seria o responsável pelo fim do jornal impresso, ou mesmo de outros tipos de distribuição de notícias em outras tecnologias. O futuro parece ser incerto.


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