Home » Suporte e mercado digital e impresso » Análise do acervo histórico digital da revista Veja disponível na web

No último tópico do BIBLIOTECNO analisamos o acervo histórico do Jornal do Brasil digitalizado pelo Google, que permite a pesquisa em um grande volume de edições das décadas de 30 a 90 (veja a análise aqui http://alexdasilveira.com/?p=594 ). Devido a esta análise do JB, este tópico fará um breve levantamento sobre uma revista brasileira importante que também está digitalizada e disponível pela web, com seu conteúdo completo, a Veja (veja.abril.com.br/acervodigital/). Este acervo não é novo, foi disponibilizado ano passado, e tem a parceria do banco Bradesco e uma das principais diferenças deste serviço para o do JB é que aqui as edições mais recentes também são inseridas (na parceria do Jornal do Brasil com o Google não há uma edição da década de 2000 disponível).

O serviço desenvolvido pela DigitalPages é sem dúvida mais intuitivo que o do Jornal do Brasil, com um arranjo que foi facilitado pelo fato de uma revista semanal ter um volume de publicações inferior que um jornal diário (veremos isto mais a frente), porém, para seu desenvolvimento foi utilizado a tecnologia Adobe Flash que exige mais recursos de banda do que a interface elaborada pelo Google. Em muitos casos existe até mesmo o problema de não se conseguir entrar na página inicial devido ao plugin, como em todos os testes feitos pelo Bibliotecno, em diversos computadores, sem sucesso com as versões 4 e 5 do navegador Google Chrome, onde era exibida a imagem ao lado.

Como já foi adiantado a interface de acesso do acervo histórico da Veja Digital é superior aquele elaborado pelo Google para o acervo digital do Jornal do Brasil em questões de usabilidade. Em uma única tela tem-se todas as funções de navegação, como períodos em linha do tempo e forma de consulta.

O primeiro filtro de navegação permite que o pesquisador opte por consultar nas edições periódicas da revista ou nas edições especiais. Em termos de comparação, no serviço do Google para o Jornal do Brasil para se chegar a uma edição especial deveria-se conhecer previamente a existência de uma e recuperá-la.

A interface apresenta duas linhas do tempo (tanto para edições periódicas quando para edições especiais), sendo a primeira por ano e a segunda por mês. Ao selecionar a opção desejada nestas linhas cronológicas automaticamente são demarcadas as edições existentes naquele período.

É possível notar mais uma diferença entre o acervo do JB e da Veja, pois, enquanto o Google disponibiliza os jornais em preto e branco devido ao fato da digitalização ter ocorrida a partir de microfilmes, o acervo da Veja disponibiliza todas as suas páginas em cores.

A transição das páginas é feita como em muitos acervos digitais de bibliotecas, arquivos, jornais e revistas, buscando trazer a idéia de folhear, um processo analógico, para o digital. O efeito de transição é inegavelmente mais elaborado visualmente que o do acervo do Google, contudo, somando-se a digitalização em cores, torna o carregamento das páginas mais demorado, consumindo um maior volume de banda.

O recurso de ampliar e reduzir o tamanho das páginas é simples, acionado por um único clique. Assim, tem-se apenas 2 níveis de zoom, o que poderia ser problemático para um jornal antigo que apresenta em sua história várias alterações de tamanho em suas fontes tipográficas, todavia, não complica a leitura de uma revista que não tem alterações consideráveis no tamanho de suas fontes ao longo do ano, sendo possível ter uma boa leitura dos textos.

O recurso que merece destaque não está na interface, no fato da digitalização ser colorida ou mesmo na transição das páginas, mas na ferramenta de pesquisa. Percebe-se que enquanto o Google permite a pesquisa apenas em todo o acervo do Jornal do Brasil a Veja tem a vantagem de possibilitar também a pesquisa apenas em uma determinada edição.

O recurso é facilitado pela própria confecção dos impressos. Quando se fala do Jornal do Brasil (e isto serve para muitos outros) se pensa uma publicação centenária, com diversas alterações de formato e, principalmente, de tipologia, além da própria ortografia. E também nota-se o uso de papéis mais frágeis que aqueles utilizados por revistas, o que originalmente já dificultava a leitura pela forma de impressão e transformou-se mais complicado com o passar do tempo de degradação do suporte.

As características citadas para um jornal dificulta no processo de reconhecimento de escrita, gerando erros e a impossibilidade de recuperar em todo o conteúdo. Isto já não ocorre – em grande parte dos casos – com as revistas mais recentes, cuja tipologia não apresentou drásticas alterações e o tipo de papel, que mesmo já desgastado, ainda permite uma fácil compreensão dos caracteres no ato da leitura.

Assim, é normal verificar que qualidade da busca por palavras em uma revista digitalizada poderá ser superior aquela ocorrida em jornais antigos digitalizados. Ao realizar uma consulta pelo termo “Copa” no acervo do Jornal do Brasil e da Veja verificou-se que enquanto o primeiro (com um acervo maior) reportou apenas 1620 resultados, enquanto a revista apresentou 4073 respostas.

A Busca avançada não apresenta novidades, possibilitando a recuperação por expressões e datas. Porém, o principal diferencial está na existência de uma pesquisa sugerida, agrupando grandes temas importantes, e na presença de uma lista de textos mais lidos.

Outra influencia ocasionada pelo material do suporte original no ato da digitalização é que por apresentar uma degradação menor, em comparação ao papel utilizado por um jornal, o acervo da veja não necessitou de intervenções drásticas quanto ao tratamento de imagens, enquanto com o Jornal do Brasil foi necessário alterar o fundo de muitas edições para que estas se tornassem legíveis.

O arquivo da Veja, juntamente ao do Jornal do Brasil, sem sobra de dúvidas podem ser considerados os mais importantes para a memória do último século, por disponibilizarem um grande volume de conteúdo. É possível notar a ausência de bibliotecas e arquivos na digitalização de grandes acervos completos ou parcialmente completos (a excessão é o Diário Oficial de São Paulo que encontra-se digitalizado) e sim a presença de grandes empresas como o Google e o Bradesco. Um problema nitidamente verificado no Brasil é a falta (ou pouca existência) de parcerias entre o público (bibliotecas e arquivos) e o privado, em oposição a outros países desenvolvidos onde empresas privadas, principalmente o Google, realizam parcerias com Bibliotecas Públicas. O problema é que ao mesmo tempo que os órgãos públicos não realizam grandes parcerias é evidente que estes também não tem verbas para bancar grandes projetos de digitalização.

A descentralização pode até ter suas vantagens e ser importante, contudo, cada grande acervo digitalizado pode ser considerado uma menor presença das bibliotecas como provedor de conteúdo, enquanto que tudo nas mãos de orgãos privados pode ser um problema futuro para uma memória nacional.

ABAIXO VEJA VÍDEO DEMONSTRATIVO DO ACERVO HISTÓRICO DIGITAL DA REVISTA VEJA







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3 Respostas para “Análise do acervo histórico digital da revista Veja disponível na web”

  1. Guilherme outubro 13, 2011

    É muito bom o acervo, a leitura é facilitada pelo zoom, muito fiel a reprodução, excelente mesmo! No entanto, estou realizando uma pesquisa no acervo, procurando reportagens relacionadas as copas do mundo de 1978, 1982 e 1986, e não consigo salvar as reportagens. Existe algum meio mais fácil de salvar?

  2. Olha, a Veja permite imprimir… o que pode fazer é instalar uma “impressora” que gere pdf no computador e mandar imprimir as paginas desejadas com a mesma… Assim terá o arquivo em pdf.

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